quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Quem me dera

      Quem me dera eu não soubesse de nada, e fosse como antes onde eu só dependia de Você. Agora cresci e me vejo tão cheia de conhecimentos incapaz as vezes de ouvir sua simples voz, no meio dos ruídos das minhas crenças.

      Quem me dera eu pudesse voltar atrás, eu não mudaria nada, apenas reviveria momentos tão bons que não deveriam acabar, sorriria mais uma vez com um velho amigo, e choraria de novo sem ter motivo.

      Quem me dera poder entender tudo o que se passa dentro de mim como Você, e escolher um caminho equilibrado sem reviravoltas, sem extremos e sem mudanças de humor. Seria mais fácil se eu pudesse caminhar em um caminho reto.

      E nisso tudo eu vejo o Seu amor. O caminho não é reto porque Você sabe que eu sou capaz de ir além disso, os momentos não voltam porque Você sabe que eu posso ter novos ainda mais prazerosos, e o conhecimento existem cada vez mais em mim porque Você sabe que só o conhecimento me desespera se eu não ouvir a Sua voz. Você sabe disso tudo, cabe agora a mim também saber.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

O Restande de Mim




      Existe o que você vê de mim, e existe aquilo que sou por trás do espelho.Sou um aglomerado de extremos que se confundem no frio e quente dos meus dias. Confio e duvido. Amo e odeio. Grito e calo. Vivo e deixo viver.

      Minha voz é mansa, meu sorriso é agradável, possuo atitudes gentis e altruístas, mas tudo isso pode mudar em um segundo, com uma maneira de falar, com um jeito de olhar. Minha voz se torna forte, e não há mais sorriso nenhum para ser admirado, minhas atitudes interessam só a mim e a ninguém mais, sou aquilo que sou, sou animal racional segundo Aristóteles, só que as vezes sou mais animal, e as vezes mais racional.

       Eu me entrego mas sempe deixo a outra ponta da corda presa em alguma estaca que foge do outro para o qual me dou. Já levei rasteiras demais, bati meu rosto no chão algumas vezes, portanto hoje confio, me entrego, mas sempre deixo a ponta da corda de fora, pois se cair não quero que a queda seja mais tão feia.

      O meu ódio é transformado em amor em alguns segundos, ou em alguns anos, ou nunca. Meu amor pode se transformar em ódio em alguns segundos, em alguns anos, ou nunca. Acordo te amando, durmo te odiando. Sonho que te amo, e acordo te odiando. Mas saiba que pior mesmo é quando eu não me importo, um equílibrio desequilibrado, sem volta, sem extremo, no extremo da falta de amor.

      Encho o meu peito de ar, inspiro e me encho de vida, expiro e me sinto viver, só que as vezes me esqueço de respirar, me esqueço que respiro. Na serra vejo novos tons de verde a cada novo dia, menos quando ela esta cinza dentro dos meus olhos fechados e adormecidos, do lado de dentro do ônibus.

      Eu confio em Você. Mas... Eu confio em Você, me desculpa. Mas... Eu estou tentando confiar em Você. Mas... Eu quero confiar em Você. Mas... Não. Eu não confio em Você, me perdoa eu sou assim, eu quero, mas não consigo, eu tento, mas não alcanço, eu falo que sim mas é mentira. Só Você me conhece, conhece todos os meus “mas”, conhece todas as minhas dúvidas, por isso não te dou a minha confiança desmedida, mas a minha covardia cheia de dúvidas, pois Você é o único capaz de me amar nos meus extremos, no restante de quem eu sou, através de quem Você É.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Apatia


Indiferença, apatia, insensibilidade. Cores neutras, tons pastéis, transparência embaçada. Não é bom, não é ruim também, é o que é, da maneira como está, como se acha que pode ver.

Eu tento parar, e dar pra Você algum tempo dos meus dias, mas tudo que acontece são momentos de tédio, em que o que eu falo não faz sentido, e geralmente não há respostas, apenas silêncio e a sensação de tempo disperdiçado. Ao mesmo tempo não existe um momento sequer dos meus dias em que eu não me lembre de Você.

Há um tempo atrás eu parei de tentar o tempo todo planejar e refletir sobre o meu presente, e futuro, porque era dolorido demais para mim, hoje parece que eu fiquei nesse lugar onde o tempo passa e a mente não percebe.

Hoje espero pelo momento em que os olhos vão piscar, e o meu ser vai voltar a compreender a realidade que o cerca, se desprendendo assim dessa apatia que ele esta a viver.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Cheiro de Casa


O seu abraço, o seu afago me dá saudade. A semana passa e conto as horas pra chegar em casa e sentir o seu cheiro, comer sua comida, ficar do seu lado. Não dizer nada, não perguntar nada. Ficar ali, quem sabe até mesmo brigar, mas sentir perto. No telefone a gente se comunica, ao vivo nos relacionamos. Sinto falta, choro falta. Sempre demora para que percebamos que éramos felizes e não sabiamos.


Ah doce infância, queria eu te ter te volta, e nela o abraço, o afago, o cheiro, a comida, de mãe e de pai, que em você se escondem.

domingo, 28 de novembro de 2010

Caminho estreito

Longe de Você não existe inspiração, minhas palavras são só palavras, e minha vida que é uma folha em branco continua branca. Eu procuro encontrar paz, mas não quero estar junto da fonte, quero ser feliz sem ter que me recolher no caminho mais estreito.

Só em Você eu possuo sentido, eu tenho motivo, eu vivo. Quando me apresentaram esse caminho eu nem percebi que ele me foi apresentado, quando eu vi já estava lá. Percebi que minhas pegadas estavam presentes no caminho largo e no caminho estreito, minha vida fazia curvas e eu acreditava estar andando em linha reta.

Eu sempre Te conheci, sempre soube quem você é, mas eu Te conhecia de ouvir falar até que passei a andar com Você, enxergar seu rosto, realmente saber dentro de mim quem Você era, o som do Seu sorriso, a cor dos Seus olhos, o pulsar do Seu coração. Você me atraiu e me cativou, e quando percebi era no caminho estreito que eu estava andando.

A paixão que no início me encatou se acalmou, acredito que aí surgiu um amor, regado por lágrimas, ao perceber quão díficil e doloroso era esse caminho. Quando andava por caminhos largos levava tudo comigo, minhas bagagens, meus fardos, meus pesos, tudo que estava sobre mim, e não dentro de mim, mas que já se confundia com quem eu era.

O caminho foi apertando, mas eu não estava pronta para me livrar de mim mesma, de quem eu era por fora, de deixar para trás o que me impedia de caminhar. Caí várias vezes por não aguentar o peso sobre meus ombros, me arrastava no chão tentando passar por fendas com meus pesos sobre minhas costas, me sujei, me machuquei, quase desisti.

Então pude ver ao meu lado uma saída, um escape, seria ilusão, causada pelo desgaste? Arrisquei, e descobri nessa saída uma linda lagoa, de águas cristalinas, na margem um carvalho com uma sombra reconfortante. Macando fui andando, cheguei no carvalho tirei minhas bagagens, me preparando para me banhar, me aproximei da lagoa. Antes de mergulhar olhei para aquela água, que em uma combinação de transparência e luz se tornou em espelho. Chorei. Vi meu rosto estampado, vi as marcar, vi a sujeira, vi o cansaço estampado.

Na hora me lembrei de Você que tinha me conduzido até ali, não conseguia nem mais me lembrar qual era a última vez que tinha te visto, te ouvido, como pode ser se ainda caminhava por onde Você havia me indicado? Aonde foi parar Você na minhas história?

A água misturada com as lágrimas me limpou, saí deste banho com as feridas limpas, prontas para serem curadas, não havia mais sujeira escondida nas minhas unhas, e minhas olheiras não estavam mais tão intensas. Me sentia leve pela primeira vez. Me sequei na brisa que Você mandou, e consegui ouvir seu sorriso quando o vento bateu nos galhos do Carvalho.

Saí daquela lagoa sem levar minhas bagagens, me sentia tão leve que me esqueci que havia chegado ali com milhares de coisas para caminhar. Retornei o caminho, como tudo parecia ser mais simples dessa vez. A noite caiu, não consegui enxergar mais nada. Duvidei que Você ainda estava presente. Estava chorando. A Sua luz brilhava tão forte através dos raios do sol. Me sentei, sentia tanto medo quando ouvi Você sussurrar: "Olha pra cima.". E lá estava a lua a nascer, lua cheia iluminando o caminho mesmo em meio a escuridão. Percebi que Você me dizia então: "Mas talvez você não entenda essa coisa de fazer o mundo acreditar que o meu amor não será passageiro, te amarei de janeiro à janeiro, até o mundo acabar. Eu nunca vou te deixar."